8 de julho de 2016

Fiquei amiga da ex dele




Se há 6 meses você me dissesse o nome dela ou, pior, ousasse dizer que um dia seriamos amigas, você provavelmente estaria entrando na pior briga da sua vida. A 3ª guerra mundial se instalaria entre nós e teríamos nossa amizade destruída. Se você me contasse que num ataque de mediunidade conseguiu através de ajuda espiritual ver um futuro em que eu e ela estaríamos rindo das mesmas piadas, gostando das mesmas coisas e compartilhando prints no whatsapp, eu mudaria minha religião, apenas porque achava tudo isso impossível.

Eu a detestava. E escrever isso hoje é tão difícil. Pura e simplesmente porque isso é um completo absurdo. Colocar em palavras todos os sentimentos mesquinhos que eu senti durante um ano em relação á ela é como ser obrigada a me ouvir naquela época. Tudo o que saía da minha boca parece hoje tão irracional.

Tudo o que partia dela me irritava. Eu amo o céu, mas se ela publicasse uma foto eu já pensava: óh lá que ridícula, postou foto do céu, quem posta foto do céu? E a resposta é simples: EU, eu sou o tipo de pessoa que publica foto do pôr do sol e das nuvens. Se ela escrevesse uma frase de alguma música que eu gostava, automaticamente eu passava a odiar a música. Tudo isso porque vivemos em uma sociedade que nos faz acreditar que quando um cara é canalha com a gente, a culpa é da outra mulher. MAS NÃO É. Leu bem? N-Ã-O É.

Ela me incomodava porque caímos nas garras do mesmo canalha. Ele era o amor da minha vida, em 24 anos de existência ele foi a única pessoa que despertou em mim o desejo de construir um lar. Ele dava sentido à aquela música do Luan Santana: eu, você, dois filhos e um cachorro (no caso um gato). E eu não admitia que uma história de quase 10 anos acabasse com ele amando outra pessoa, casando e fazendo tudo ao contrário do que fazia por mim, não depois de ter enfrentado tantas coisas. Que grandessíssima otária eu fui. 

Ele nos comparava com frequência, me dizia: Sabe por que não deu certo com ela? Porque ela é igual a você. Vocês são duas loucas. Eu detestava a comparação, respondia com o meu tom de voz mais sério: "Não me compara com aquele menina, caralho".

Me afastei de amigas que ousavam me mostrar fotos e dizer que ela era bonita, magra e estilosa. Que raiva eu sentia. Era incontrolável. Discutimos algumas vezes, eu hesitante em dizer tudo o que achava dele e do relacionamento perfeito que eles compartilhavam. Ela sempre na defensiva e muito confiante de que eu era a ex-maluca que não aceitava o fim. Afinal, era assim que ele me definiu para ela. Numa dessas brigas, quando já estava insuportável ver todas as indiretas, as mentiras e o papel de trouxiane que as duas fazíamos na internet, quando ameaças de processo e B.O - ahan, era feia a coisa entre nós- começaram a rola, abrimos o jogo uma com a outra. Conversamos até as 05:00 da manhã e colocamos em pratos limpos tudo o que uma sabia sobre a outra.

Não adianta mentir e mascarar a situação dizendo que foi a coisa mais simples da vida de se fazer, porque honestamente não foi. É muito difícil passar por cima do seu orgulho e do pré conceito de que aquela pessoa é sua inimiga natural para dar espaço ao ser humano, que também tem sentimentos e enfrentou várias barras durante a vida muito mais difíceis que a sua.

"Muito Melhor ter uma amiga pra somar que uma porção de inimizades sem explicação e pessoas de quem fugir, não acham? Deixe as lembranças ruins atreladas áquele babaca pra trás, se preocupe em estar próxima das outras minas no rolê. Sabe aquela garota que você já machucou, ofendeu ou ignorou no passado? Que tal deixar o orgulho bolso e chamar ela, numa boa, pedir desculpas, propagar a paz? No coletivo, todas saem vencedoras." - Camila Paier | Não somos rivais
As pessoas me questionam sobre o assunto com uma frequência absurda, todos sempre muito atônitos com a situação achando impossível que a gente consiga ser amiga, mas deixa eu contar um segredo pra vocês: a vida é simples, tem que ser simples, tem que ser leve.  E desde que eu tomei a decisão de que iria esclarecer qualquer mal entendido com ela tirei dos ombros um peso que eu nem sabia que carregava. Lá no fundo a gente sempre sabe que está odiando a pessoa errada. A gente sabe que aquela situação está errada, que não é certo atacar uma pessoa que acabou de entrar numa historia e já está recebendo ofensas, apelidos e indiretas, mas a gente continua, porque a vida inteira ouvimos que a culpa é da mulher.

Aquela velha lição de que não se pode julgar o livro pela capa, que a gente repete tantas vezes é a máxima aqui. Nós nos adiávamos pela imagem que outra pessoa criou. Por tanto, dê uma chance. As pessoas que a gente menos espera são as que mais nos surpreendem no final das contas.




* Esse post faz menção ao blog: Camila Paier
* A ilustração é da Fernanda Gabriela Mello

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