21 de dezembro de 2015

Amar por dois não vale a pena



Enquanto aplicava filtro solar sob o rosto pensava: Que diabos estamos fazendo com esse relacionamento? Que bagunça é essa que estamos nos tornando? A cada suspiro um motivo a mais para expressar a insatisfação. O que aconteceu com ele? Comigo? Com o nosso amor?

Coloquei o óculos e me estendi ao sol, com aquele biquíni que ele adora e tem a marca pequena. Entre nós anda tudo tão diferente, caímos na mesmice, mergulhamos num poço de lamurias e reclamações, criamos um clico vicioso e brigamos por tudo. Nós costumávamos ser tão amigos, todos os assuntos eram permitidos. Onde é que fomos parar?

Há alguns anos atrás existia um ar de magia e encantamento. Costumávamos fazer um balde enorme de pipoca, temperar com sazon e assistir a comédias românticas. Vez ou outra imitávamos os personagens e caiamos na gargalhada. Dedicávamos músicas com frequência e sempre havia uma "nossa música" tocando por ai, mas nunca abandonamos duas que embalaram o inicio do nosso amor.
Você segurava firme minha mão, enquanto caminhava com o peito estufado cheio de orgulho. Me rodopiava pelas ruas sempre que gostava da minha roupa. Me dava beijos apaixonados, me segurando nos braços como um verdadeiro príncipe. Nós estávamos sempre muito felizes.

Mas as coisas começaram a desandar. Começamos abrir espaços para que outras pessoas entrassem. Os amigos começaram a dar palpites demais. Eles diziam: vocês precisam de um tempo separados, não custa nada uma balada no fim de semana só entre amigos. E foi assim que minamos nossa relação.
Outras pessoas começaram a ocupar os espaços, ouvirem e rirem das suas piadas, posarem em fotos ao seu lado, viajando com você. Nosso amor fez as malas e aguardou sentado no portão para que você passasse para busca-lo. Você não veio.

O amor que sempre foi tão leve começou a pesar aos ombros e eu descobri que nadava em círculos sozinha, procurando uma boia salva vidas que nos ajudasse a ter folego para salvar esse relacionamento. Nadei, nadei e morri na praia.
Decidi que não ficaria ali parada para ver tudo o que construímos desmoronar. Decidi partir.Amar por dois não vale a pena.

Mas, relações tão profundas como a nossa não evapora, não desmorona. Por isso, mesmo quando os ombros começaram a pesar e a duvida começou a tomar conta dos pensamentos eu tive uma certeza: Nós vamos superar. Continuamos aqui para não deixar nosso barquinho afundar e se perder na imensidão desse oceano.Vivemos nessa montanha-russa louca que ninguém entende, talvez nem nós dois saibamos que rumo isso vai tomar, e dai? Levanta o braço amor e grita junto comigo pra deixar o frio na barriga nos invadir de novo. Eu estou aqui ao seu lado em qualquer das curvas que esse carrinho der e se ele sair do trilho, dane-se porque a gente já se perdeu outras vezes e a vida colabora para a volta. Deixa eu cantar “ This is our fate, i'm yours” de novo pra você saber que vai ser assim pra sempre.

Eu sempre soube que você não era meu, assim como ninguém nunca é de ninguém, mas nossos momentos, nossos dias, nossas alegrias, tudo isso sim me pertencia e pertence à você também. Eu não sinto falta de você, sinto falta de nós.
Eu já encerrei nossa historia milhares de vezes e já recomecei outras tantas, li e reli cada linha pra ter certeza de que não perderia detalhe algum.
Não da pra negar, nem se quiséssemos, pele é um bicho traiçoeiro.
Na distância disfarço, te evito e tudo fica bem, mas, é só sentir o abraço, o roçar do braço contra o meu e os pelinhos da nuca começam a se ouriçar. Nós nunca fizemos sexo, sempre amor e essas coisas não mudam. Você não diz nada, não ata e nem desata e eu menos ainda que é pra não acabar com tudo de uma vez. Permaneço calada, imparcial, sem demonstrar muito que meu peito parece bateria de escola de samba sempre que você se aproxima.



O mesmo nível de intimidade e o mesmo olhar de ' me da um beijo porque eu sei que vai demorar demais pra você voltar ' isso, com certeza não mudou. Onde é que vamos parar?



Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar.
( Caio F. Abreu )


Texto escrito originalmente em 2010 e revisado em 2015.


Um comentário:

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