7 de outubro de 2015

Sobre a decisão de amar.

" Só enquanto eu respirar vou me lembrar de você"
Trecho da música: O anjo mais velho - O teatro Magico
Tatuagem feita por: Nicolau Neagu em 2013


Amar é de uma particularidade incrível, são incontáveis o numero de definições que já li. Eis que dou a cara a tapa para compartilhar a minha, humilde e sem pretensão alguma de ser levada como verdade absoluta !

Tenho poucas certezas na vida, culpa disso vem do fato de ser libriana, mas dessas poucas tenho algumas boas e bonitas. A primeira delas é que existe um destino, cuidado e regado por um ser superior que traça nossas vidas. A segunda é de que a tampa da panela existe e que encontrei a minha aos dezesseis anos. A terceira é de que nasci para o amor, em todas as suas formas, delicadas e simplicitas. Dessas certezas a segunda é a que mais causa espanto dentre as pessoas que me conhecem. Explico.
Dei meu primeiro beijo aos doze anos, enquanto todas as minhas amigas já haviam beijado metade do bairro. Durante o período escolar, conto nos dedos o números de meninos que beijei, enquanto minhas amigas faziam listas ( na época de vocês também existia essa coisa de lista ? ) e disputavam quem pegava o menino da série maior que a nossa. Aos treze tive meu primeiro namorado, a partir do primeiro beijo não nos largamos pelo próximo ano. Relacionamento prematuro, infantil mas que ensinou um bocado de coisas.
Foi durante este relacionamento que conheci a minha tampa da panela e como dá pra perceber, não era o até então namorado. Durante minha adolescência passava todas as férias escolares no litoral sul de são paulo, onde minha família mantem uma casa de veraneio. Num desses encontros casuais e apresentações de amigos de amigos apareceu, o mais magro, com a voz mais fina, que tinha as piadas mais chatas e um sorriso encantador. Minha amiga achou ele o pior de todos. E eu, achei o mais bonitinho. Começa ai as confirmações das minhas certezas sobre destino e a famosa tampa da panela.
Meu até então namorado, sem motivo aparente odiava o tal menino bonitinho. Na época do "msn" fazia questão de apagar e bloquear o contato do menino e eu, sem nenhum motivo que tenha uma explicação se não destino, desbloqueava e adicionava o mesmo todos os dias. Seguimos nisso até cinco meses após a primeira apresentação. Nos reencontramos, eu já solteira e ele com aquele sorriso de canto de boca. A internet adiantou em cinquenta por cento o processo de nos conhecermos e flertarmos. Nos beijamos a primeira vez no dia três de dezembro de dois mil e seis por volta das três da manhã, na calçada do vizinho após tomar um vinho barato qualquer. Não sei explicar com precisão como isso funciona, mas sei, que ao redor alguém disse: Acho que isso já era, vão casar ! E no fundo, naquele mesmo minuto, era exatamente isso que meu corpo sentia. Tudo dentro de mim havia se encaixado, se encontrado, se harmonizado.
Hoje, oito anos e meio depois daquele primeiro beijo, nosso amor passou por milhares de transformações. Nós somos o oposto um do outro: ele malha e corre na praia, eu sou viciada em chocolate e refrigerante. Ele odeia ver filmes no cinema e eu adoro. Ele só sente ciumes do que tem certeza e eu tenho ciumes até de quando ele usa perfume longe de mim. Mas, somos amigos.
E amar pra mim é isso, poder rir junto e da pessoa que está ao nosso lado, compartilhar dos segredos mais íntimos, daqueles que nem suas amigas sabem, poder estar de blusinha básica, shorts jeans, rabo de cavalo e sem um pingo de maquiagem e receber um elogio. É dormir abraçado, de mãos dadas e os dedões dos pés presos um no outro e no meio da noite acordar cada um virado pro lado oposto e se juntar de novo. É achar que o cheiro que ele tem atrás da orelha é melhor que qualquer perfume. É passar o dia deitada sobre o colo dele enquanto joga futebol no video game e comemorar quando sai um gol. Aprender a cozinhar o prato favorito dele mesmo quando se odeia fazer qualquer tipo de trabalho doméstico. Ver coisas nas vitrines do shopping e comprar, somente pelo fato de ter certeza que aquilo vai ficar lindo sem uma data  especifica. É acordar no meio da noite enquanto ele procura sua cabeça pra dar um cheiro mesmo estando dormindo, carregar pra cama duas garrafas d'água porque 1 você tem problemas com ressecamento das mucosas e 2 ele bebe água todas as vezes que você resolve beber um gole. Amar está na simplicidade, no beijo inesperado, no sorriso de bom dia, no dormir de conchinha no verão, em ganhar seu chocolate favorito.
Nem sempre são flores, mas é só lembrar dos motivos que me fizeram amar que tudo fica leve. Eu decidi amar os dezesseis anos e escolhi viver o amor. O nosso amor, esse amor que é só meu e dele. Destino. Na pele, no corpo e na alma. Só enquanto eu respirar !

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