8 de março de 2015

O dia que eu decidi não perdoar mais ninguém.

Era o último dia de fevereiro de 2015, o dia havia passado calmo e tranquilo, mas, quando a noite chegou e o silencio tomou conta do quarto, minha mãe se aproximou com lágrimas nos olhos para me dar uma das noticias mais sofridas da minha vida.
Você precisa ser forte.” disse e deixou que as lágrimas caíssem. 
Acho que doeu muito mais nela, porque mãe tem essa coisa de sentir as coisas pelos filhos e de sofrer e se alegrar tanto quanto nós.
Completei a frase, instantaneamente e numa velocidade maior do que a consigo pensar: “Ele está namorando, né?”
Doeu, meu Deus do céu, como doeu. Eu nunca tomei uma facada, mas acho que a dor deve ser equivalente a isso. Eu senti que meu coração parou de bater por alguns milésimos de segundo e despedaçou como quando derrubamos um cristal ao chão.

Não chorei, e não porque sou forte ou porque não tenha me abalado, mas porquê a dor era tão intensa, tão profunda que a emoção não conseguia vir á tona.  Decidi que precisava de um banho – não sei porque, mas sempre que alguma coisa muito ruim me acontece eu tenho essa necessidade de fazer tarefas banais só pra fingir pra mim mesma que tudo está bem- e me tranquei no banheiro. Só quando a água quente bateu na cabeça é que desabei.
Aproveita, aproveita pra limpar tudo, porque essa é a última vez dona Thamires, é o último choro” – não foi, mas naquele momento era muito reconfortante ter este pensamento e acreditar que eu era tão determinada que conseguiria cumprir a promessa de não chorar mais.-

Oito anos, longos oito anos. Todos ao redor criticavam, faziam do assunto pauta nas reuniões dos bares, apontavam os dedos no meu nariz e diziam com veemência e de maneira inquisitória: Como você é burra. Ah, se fosse comigo não perdoaria. Jamais eu aceitaria esse tipo de coisa. Você é mesmo burra. Coitada.
Não meus caros, eu não sou burra. Simplesmente lhes apresento o maior e mais profundo dos sentimentos, aquele que todo mundo acha bonito, mas que poucos tem coragem de viver intensamente e fielmente, aquele que poucos conhecem de fato, mas que todos jogam ao vento: O amor.
Aquele apresentado na bíblia: Tudo sofre tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

1 Coríntios 13:7
Perdoei coisas que passam por cima dos meus princípios, única e exclusivamente por amar demais e o que eu ganhei no fim das contas? Um belo pé na bunda, sem direito a explicação do: Por que não eu?
Foi como se eu não existisse e como se todos os anos que vivi fosse uma mentira, uma ilusão solitária e que eu vivi sozinha.
Não sei sinceramente como uma pessoa medíocre dessa consegue deitar a cabeça no travesseiro e terminar o dia bem, sem peso algum na consciência. Não sei qual o futuro pra uma pessoa que age de maneira tão cruel.

E não pensem que foi fácil. Perdi as contas das coisas que perdoei, mesmo que nunca tenha existido um pedido de perdão. E pra você que está ai lendo ou acompanhando de longe e fora da situação seja muito fácil chegar a conclusão de que abandonar a historia, seguir em frente e encontrar outra pessoa é a solução e decisão mais inteligente a se tomar. O que você esquece é que existe amor. Existe uma mágoa que não cabe neste texto e nem em mil outros. Não cabe no peito e na vida. Existe um sentimento de rejeição, impotência e um questionamento gigante sobre: o que eu fiz? O que eu não fiz ?
Ninguém é capaz de dimensionar o que é acordar e descobrir que a pessoa que dorme com você há oito anos, que faz parte da sua família, da sua casa e da sua rotina e que repetia sempre com muita convicção as frases: “Não quero namorar agora, nem com você, nem com ninguém. Vamos casar, não precisamos assumir relacionamento, já estamos juntos.”está simplesmente namorando e com outra pessoa e sem ao menos dizer-lhe: Adeus, acabou. Fui. Tchau. Até nunca mais. Nada, nenhuma palavra, nenhuma justificativa, sem a  menor consideração pela pessoa e sentimento, zero.

Talvez minha concepção de amor seja equivocada e erronia e eu tenha mesmo pecado em acreditar que para viver um amor, tudo vale a pena. E me anulei, era invisível para ele e inexistente para as pessoas ao redor. Mas não me arrependo, no fim das contas eu consigo fazer uma coisa que ele simplesmente é incapaz: SENTIR.

Já vi esse filme outra vez, sei do fim. Ao contrário da pessoa em que ele decidiu namorar, eu o conheço. De ponta cabeça. E sei que a máscara de “príncipe” dura pouco. Bonito de ver como a “outra” se encontra enganada e iludida na ideia de que ele é perfeito.
É muito fácil amar alguém quando ela anda de carro 0, ganha bem e deu um tapa na aparência. Quero ver amar como eu amei: Sem um puto no bolso, andando de bicicleta, espinha na cara e boné na cabeça.


Dessa vez quem aponta o dedo no nariz, em frente ao espelho sou eu: Bem feito. Bem feito mesmo, por acreditar que ele era Homem como prometia ser. Bem feito por acreditar que era o príncipe da sua vida e que iria entrar na igreja de branco enquanto ele sorria no altar te esperando. Agora aprende e não perdoa nunca mais. Nem ele, nem ninguém !

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